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Como se preparar para o casamento
25 de março de 2014

UMA GRANDE ESPERANÇA
Antes o casamento era quase que uma obrigação, fazia parte da cultura, dos costumes. Hoje, quando este peso diminui, surge, em muitas pessoas, a grande esperança de encontrar, no casamento, um projeto de vida que permita a realização. O homem e a mulher esperam poder realizar juntos um objetivo que dê sentido às suas vidas.

Em vista disso, precisam desenvolver um projeto de vida em comum; se identificar e se envolver nesse projeto de forma criativa e inovadora a ponto de canalizar todas as suas forças. Quase sempre isso implica riscos e possíveis fracassos que exigem compromisso e responsabilidade.

A FALTA DE PREPARAÇÃO
A deficiente preparação para o casamento origina ou contribui para o agravamento da situação familiar e é causa de outras dificuldades e sofrimentos para muitos casais. São poucos, infelizmente, os jovens cônjuges que receberam da família que os criou uma educação capaz de os sensibilizar para a problemática vocacional e de os preparar para a vida de casados. Além disso, os jovens são tãoabsorvidos pelo estudo, pelo trabalho e pelas diversões, que lhes faltam tempo e ambiente para o diálogo a dois, condição indispensável a um sério projeto conjugal e familiar.

CONHECER-SE E CONHECER O OUTRO
O conhecimento é uma característica essencial do projeto conjugal. Conhecer hábitos e necessidades do outro não significa renunciar aos desejos próprios, mas buscar novas formas que garantam espaço para a realização de ambos, sem sacrificar a individualidade de cada um. “Parece-me mais sábio legislar sobre a preparação para o casamento a legislar sobre a dissolução do casamento”. João Mohana escrevendo ao presidente da República Emílio Garrastazu Médici

Conversar, por exemplo, sobre a vida passada: os hábitos, as preferências, os papéis e os costumes que tinham, podem parecer coisas banais, mas falar sobre o antigo modelo de vida vai possibilitar a organização da nova vida em comum. E não se trata só de falar, de igual importância é também o escutar.

O casal forma um novo relacionamento em que, segundo a escritora Christiane Blank, as pessoas fazem duas experiências básicas: de um lado, eles criam um espaço físico, um novo lar; do outro, constroem um espaço afetivo em comum. Na construção deste espaço, dois seres humanos trazem cada um elementos psíquicos e físicos que necessitam ser juntados, para que deles possa surgir um novo lar, uma nova família, um novo ambiente de convivência íntima.

TRABALHAR AS DIFERENÇAS
O esforço de duas pessoas, para construir este espaço, é o cimento que une os elementos isolados, trazidos por cada um dos parceiros, pois os dois têm um passado e foram profundamente marcados por ele. Afinal, o casamento não resulta em mudança de personalidade, daí a necessidade de um conhecimento muito grande um do outro.

As duas pessoas, tão distintas uma da outra, têm de aprender a conviver. É claro que as dificuldades são conseqüência normal desta interação, porém estas dificuldades podem e devem ser negociadas. Na verdade, os dois devem se moldar. As diferenças sempre vão existir, mas é preciso saber lidar com elas. É um abrir mão dos dois lados. Com certeza, jamais um ou outro vão encontrar a pessoa 100% ideal.

RESPEITO E PERDÃO
Hoje se fala muito em prevenção, também em prevenção aos problemas no casamento. Com certeza, a felicidade da futura família joga-se de modo decisivo no tempo da preparação para o casamento, dentro do qual duas atitudes são absolutamente indispensáveis: o respeito pelo outro e a capacidade de perdoar.

Isto pressupõe algum conhecimento, mas sobretudo sinceridade inesgotável e capacidade de diálogo também muito sincero. O casal forma uma escola onde todos podem aprender e todos podem ajudar. Amar é ajudar, confiar e ir ao encontro do outro para o fazer feliz. Só assim a comunhão entre duas pessoas poderá ser estável.

PARA REFLETIR
Por que hoje as pessoas se separam mais facilmente?
De que forma os pais preparam os filhos para o namoro e para a futura relação conjugal?
Como preparar os jovens para o casamento e a vida familiar ?

AS ETAPAS NA PREPARAÇÃO DO CASAMENTO
O Conselho Pontifício para a Família, no documento Preparação para o Sacramento do Matrimônio, apresenta três etapas no itinerário para a preparação ao casamento, que não são rigidamente definidos, mas é útil conhecê-los como itinerários e instrumentos de trabalho.

A. Preparação remota

A preparação remota abraça a infância, a pré-adolescência e a adolescência e desenvolve-se sobretudo na família, e também na escola e nos grupos de formação. É um período em que é transmitida e incentivada a estima pelo valor humano, a formação do caráter, a estima de si, o respeito para com as pessoas do outro sexo, etc.

Esse caráter encontra o seu estímulo, apoio e consistência no exemplo dos pais, que se tornam para os filhos um verdadeiro testemunho.

A paróquia é um lugar de formação especial para esta preparação. É nela que se aprende um estilo de convivência comunitária. Não devemos esquecer, além disso, a escola, as outras instituições educativas, os movimentos, os grupos, as associações e, obviamente, as próprias famílias. Além, é claro, dos meios de comunicação.

B. Preparação próxima

A preparação próxima desenrola-se durante o período do namoro e do noivado. É o tempo de verificar a maturidade dos valores humanos próprios da relação de amizade e de diálogo que caracterizam este período.

Ela deve reforçar o sentido social dos jovens, em primeiro lugar com os membros da sua família, orientando os seus valores para a futura família que formarão.

A preparação próxima precisa oferecer aos namorados/noivos os elementos de car áter psicológico, pedagógico, legal e médico, próprios do matrimônio e da família. Durante este momento, são necessários encontros freqüentes, num clima de diálogo, de amizade, de oração…

Além disso, os pretendentes devem ser ajudados de modo a poderem depois manter e cultivar o amor conjugal; a comunicação interpessoal-conjugal; a viverem as virtudes e saberem enfrentar as dificuldades da vida conjugal.

C. Preparação imediata

Consiste em realizar experiências de oração (retiros espirituais, momentos de oração…), participar de cursos, fazer uma conveniente preparação litúrgica que preveja a participação ativa dos nubentes, com cuidado especial para o sacramento da Reconciliação, etc.

Estas finalidades serão conseguidas através de encontros especiais, de modo intensivo.

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